domingo, 12 de fevereiro de 2012
A Drifting Life - Yoshihiro Tatsumi
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Passo de Caranguejo - Günter Grass
sábado, 21 de janeiro de 2012
500 Essential Graphic Novels, The Ultimate Guide - Gene Kannenberg, Jr.
Gene Kannenberg, Jr dividiu o livro em gêneros de quadrinhos, como um lista de filmes - pensar os quadrinhos dessa forma, e não abarcados num único gênero "quadrinhos", sempre me pareceu corretíssimo: aventura, não-ficção, crime/mistério, fantasia, ficção geral, horror, humor, ficção científica, super-heróis e guerra. Antes de cada capítulo, uma introdução sobre a evolução do gênero nos quadrinhos. Na apresentação de cada título, um resumo da trama, resenha, última edição, indicação etária e, como não poderia faltar numa obra dedicada a quadrinhos, o máximo de ilustrações possíveis. Para sanar um pouco o problema da não inclusão de determinados títulos por falta de espaço, o autor ainda disponibiliza indicações de leituras afins ao final de cada resenha.
500 Essential Graphic Novels é um livro indispensável para fãs de quadrinhos, e bastante útil para quem não conhece nada do assunto mas sabe que é um meio artístico sério e deseja começar a entendê-lo. Para o fã, fica a recomendação de tentar adquiri-lo através de importação pela internet, pois é irresistível passar horas relembrando algumas das maiores obras de quadrinhos e conhecendo pequenas preciosidades ainda não descobertas; para o leitor que se interessa mas não tem tanta urgência, pelo menos fique ligado em sites e livrarias brasileiros mesmo ou, em caso de viagem ao exterior, pode ser encontrado nas prateleiras das principais livrarias lá de fora.
Editora: Collins Design
Páginas: 528
Disponibilidade: importado
Avaliação: * * * *
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Matadouro 5 - Kurt Vonnegut Jr.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Escritores em Ação - vários autores
sábado, 19 de novembro de 2011
O Idiota - Fiódor Dostoiévski
sábado, 12 de novembro de 2011
Psychic Confusion: The Sonic Youth Story - Stevie Chick
domingo, 30 de outubro de 2011
A Náusea - Jean-Paul Sartre
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Bowie in Berlin. A New Career in a New Town - Thomas Jerome Seabrook
Na segunda metade da década de 1970, David Bowie passava por um momento crucial em sua vida: sua carreira estava no auge, produzindo discos anualmente desde 1969, muitos deles com vendas astronômicas, e suas turnês levavam milhões de fãs aos seus shows. Por outro lado, sua vida pessoal passava por turbulências graves - vícios, anorexia, divórcio, paranoia e obsessão por ocultismo e símbolos nazistas - que quase lhe custaram a vida.
O livro começa com os antecedentes dos anos de Berlim, apresentando um David Bowie que, por um lado, era um dos artistas mais populares da época, e por outro estava no fundo do poço em sua vida pessoal, e com sérios riscos à sua saúde. Bowie vivia em Los Angeles, havia acabado de lançar uma sequência de discos excepcionais, em termos musicais ou sucessos de vendas - começando com Hunky Dory, de 1971, até Station to Station, de 1976. Seus trabalhos eram frequentemente temáticos, com a interpretação de personagens que às vezes chegavam a se misturar com sua própria personalidade, como o alienígena Ziggy Stardust. Seu último personagem dessa época chamava-se "Thin White Duke", um aristocrata demente com inclinações fascistas, que começou a interferir na saúde mental do cantor numa fase em que seus alimentos eram somente cocaína, pimenta e leite.
David Bowie tinha tudo para continuar nese caminho em sua vida profissional, lançando mais um disco com sucessos comerciais e turnês enormes (era tudo o que sua gravadora queria também), mas resolveu dar uma guinada. Sua vida pessoal conturbada pode ter influenciado bastante essa escolha, mas o lado artístico não pode deixar de ser considerado: Bowie é um músico notório pela sua capacidade de enxergar adiante de seu tempo, de ser pioneiro. O que ocorre então é que ele larga tudo nos Estados Unidose vai se refugiar anonimamente na Europa, onde entra em contato com bandas inovadoras como o Kraftwerk e inicia uma parceria com Brian Eno, ex-Roxy Music, que já fazia discos bem diferentes.
A segunda parte do livro de T.J. Seabrook é dividida em quatro capítulos, efetivamente o período em que Bowie viveu em Berlim e criou os melhores discos de sua carreira e de seu amigo Iggy Pop, que tinha saído de sua fantástica banda, The Stooges, e estava em total ostracismo. The Idiot, o primeiro disco dessa fase, teve sua parte musical quase que completamente criada por Bowie e companhia, tendo Iggy Pop criado mais a parte das letras, e serviu como um "piloto" para a sonoridade dos discos seguintes de Bowie. O capítulo seguinte aborda a criação de Low, e os posteriores de Lust For Life e "Heroes". Em cada capítulo, inicialmente é contada toda a história dos músicos à época dos discos, o processo de criação e produção, e ao final há a ficha de cada música, com comentários.
Bowie in Berlin é encerrado com capítulos sobre a produção de Lodger, o último disco dessa fase (que por não ser tão extraordinário quanto os quatro anteriores e ter sido pouco influenciado pela vida em Berlim é tratado à parte), a retomada da carreira de superstar de David Bowie, o fim da parceria dele com Brian Eno e o legado que essa fase de sua carreira deixou para o cenário musical da década de 1980.
Encontrar esse livro até então desconhecido para mim foi uma coincidência e tanto, já que há alguns meses estou obcecado por esses discos e não paro de escutá-los. Sua leitura foi bastante agradável e enriquecedora para melhor compreensão desses trabalhos fundamentais, que influenciaram uma porção de gente, de Joy Division a U2, moldando o clima dark pós-punk que teriam os anos 80. Bowie in Berlin é uma leitura essencial para todo fã de David Bowie, e para quem não conhece os tais discos da fase berlinense do cantor, recomendo fortemente que não perca a oportunidade de entrar em contato com essas obras-primas da música, principalmente The Idiot e Low.
Editora: Jawbone
Páginas: 270
Disponibilidade: importado
Avaliação: * * * *
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O Triste Fim de Policarpo Quaresma em quadrinhos - Lima Barreto e outros
Voltando a falar da coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos (depois de um ano), dessa vez li a adaptação de Triste fim de Policarpo Quaresma, esse livro maravilhoso, e por isso mesmo já uma tarefa e tanto fazer uma adaptação. Nesse caso, até que a adaptação de Ronaldo Antonelli se saiu um pouco melhor do que em O Cortiço, mas continuo achando muito difícil essa tarefa de adaptar livros inteiros, pelo tamanho das obras originais comparado com o número de páginas propostas para os quadrinhos - contos são bem mais propícios, e os resultados geralmente são melhores. Os desenhos de Francisco Vilachã, como já havia dito em outra resenha, não são grande coisa, e oscilam de suficientes a fracos em cada trabalho seu na série - no presente caso, estão fracos, sem graça, atrapalhados ainda mais pelo trabalho do colorista Fernando Rodrigues, deixando os personagens quase sempre monocromáticos.terça-feira, 16 de agosto de 2011
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Há cerca de um ano escrevi uma resenha sobre o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, na qual tive que citar as outras duas grandes histórias de distopias: 1984, de George Orwell, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, que acabo de ler. Todas elas foram escritas em meados do século XX (décadas de 30, 40 e 50), época que, devido à grande quantidade de mudanças espantosas e catástrofes inimagináveis, impelia pessoas perspicazes e de imaginação poderosa a interpretar seu presente na forma de distopias, ficções passadas em futuros sombrios.domingo, 7 de agosto de 2011
Heroes of Blues, Jazz & Country - Robert Crumb
Quem conhece Robert Crumb sabe que, apesar de sua genialidade nos quadrinhos, seu amor verdadeiro sempre foi pela música. Apesar de seu nome estar frequentemente vinculado ao movimento de contra-cultura do final da década de 1960, Crumb nunca negou que não tinha nenhum interesse no rock daquela época, e que sua música vinha de décadas antes, a música que ele escutava quando era criança, em discos das décadas de 1920-30.
Em uma singela homenagem aos seus ídolos, Crumb produziu na década de 1980 uma série de cards com desenhos e um parágrafo de breve biografia dos músicos que produziram a música da sua vida, e agora uma editora americana resolveu compilar todos eles num belo livro chamado Heroes of Blues, Jazz & Country.
A introdução do livro é de Terry Zwigoff, amigo de Crumb, companheiro de banda e diretor do famoso documentário de 1994 sobre o desenhista. Zwigoff nos conta como começou o projeto: Crumb, notório colecionador de discos antigos, queria muito adquirir algumas raridades de um amigo, e este propôs uma troca dos discos por um desenho original. Crumb aceitou, e anos depois, Zwigoff utilizou a mesma estratégia para trocar um disco da coleção dele com Crumb. A partir de então, Crumb passou a produzir desenhos de seus artistas prediletos, baseado em fotos antigas, caso elas existissem - lembre-se que a maioria desses artistas sempre foi extremamente obscura, e sobre alguns deles não se sabe nem ao menos sua data de nascimento.
Na época, os cards foram lançados em pacotes distintos para cada estilo: Heroes of the Blues, Early Jazz Greats e Pioneers of Country Music. Um livro muito bem feito, e com desenhos de Robert Crumb, é um bom motivo para eu querer tê-lo na minha estante, mas o fator determinante para mim foi a inclusão de um cd com 21 músicas de alguns desses artistas. Esse cd me apareceu como um farol para descobrir músicos seminais nesses estilos pouco explorados por mim ainda.
O cd começa com os artistas do blues. Esqueça Robert Johnson, e nem pense em B.B.King ou Eric Clapton. Robert Crumb gosta mesmo é daqueles músicos de rua, que por uma graça do acaso gravaram algumas canções e deixaram seu legado para os garimpeiros culturais das décadas seguintes. As músicas dessas parte são muito agradáveis, simples, e quase completamente desconhecidas por quase todo mundo. Eu só conhecia um artista retratado por Crumb antes de ler o livro - Skip James, e somente porque há uma canção sua maravilhosa no filme Ghost World (dirigido não por acaso por Terry Zwigoff). Outros dois nomes eu já havia ouvido falar, mas não conheço muito de sua obra: Louis Armstrong, o músico de jazz mais famoso de todos os tempos, e Duke Ellington. As canções de blues no cd são bem leves, a exceção fica justamente por conta de Skip James, o mais melancólico de todos os sete artistas apresentados (e talvez por isso o que eu mais gosto).
A segunda parte do cd fica com o country, um estilo um pouco mais familiar para mim. Não que eu conheça qualquer daqueles artistas, mas o antigo country americano tem semelhanças com o folk britânico, um estilo que fiquei viciado durante alguns meses há uns dois ou três anos, e que me fez ficar familiarizado com essas músicas que utilizam um dos instrumentos mais bonitos para mim, o banjo.
O cd termina com os músicos de jazz antigos, um estilo que ninguém sabe dizer o nome de qualquer representante, mas todo mundo já ouviu e continua ouvindo em desenhos animados e filmes antigos. É a música mais famosa dos Estados Unidos, mas em contrapartida, uma das mais anônima.
Essa união de arte gráfica e música produziu uma obra muito bacana, eu ouço a música, leio no livro sobre aquele artista e viajo... Esse livro é importado, e pelo conteúdo muito específico, não tenho a impressão que algum dia venha a ser lançada uma edição brasileira - mas se tratando do crédito que Robert Crumb tem aqui no Brasil, não acho que isso seja impossível, já que há um album lançado pela Conrad chamado Blues, só com histórias sobre o estilo predileto de Crumb.
Editora: Abrams Comicarts
Páginas: 240
Disponibilidade: importado
Avaliação: * * * *
Hoje, com a internet, é muito mais fácil conhecer qualquer tipo de artista do que na época que Crumb produziu os cards. Caso você se interesse em conhecer alguns destes velhos e bons músicos, e tem dificuldade para conseguir importar o livro, aí vai a lista de artistas compilados no cd, para serem caçados na internet (boa sorte!):
Blues - Memphis Jug Band, Blind Willie McTell, Cannon's Jug Stompers, Skip James, Jaybird Coleman, Charley Patton, Frank Stokes.
Country - "Dock" Boggs, Sherlor Family, Hayes Sheperd, Crockett's Kentucky Mountaineers, Burnett & Rutherford, East Texas Serenades, Weems String Band.
Jazz - Bennie Moten's Kansas City Orchestra, "King" Oliver's Creole Jazz Band, Parhman-Pickett Apollo Syncopators, Frankie Franko & His Louisianians, Clarence Williams' Blue Five, "Jelly Roll" Morton's Red Hot Peppers, Jimmy Noone.
E mais: os desenhos dos 36 músicos de blues presentes no livro podem ser encontrados aqui (infelizmente sem os textos). Se alguém achar os desenhos dos outros músicos, me informe o link que eu coloco no blog.
domingo, 19 de junho de 2011
O Existencialismo é um Humanismo - Jean-Paul Sartre
Em meados do século XX, a corrente da filosofia denominada existencialismo estava em alta, seguida fielmente por alguns e combatida ferozmente por outros. O termo existencialista era utilizado para se referir a variadas situações, algumas sem relação nenhuma com a ideia original. Era sofisticado incluir o termo em conversas com os amigos, mesmo que nenhum dos interlocutores compreendesse muito bem o assunto.
Apesar de as ideias existencialistas terem se originado no século XIX, com um filósofo dinamarquês chamado Soren Kierkegaard, foi Jean-Paul Sartre quem transformou-as em doutrina, inclusive criando o termo, que foi rejeitado por filósofos de ideias semelhantes, como Martin Heidegger.
Até a década de 1940, o existencialismo podia ser estudado através de livros difícies para o grande público, desses que até o título já causa estranheza, tipo Ser e Tempo, ou O Ser e o Nada (títulos que, diga-se de passagem, também contribuem bastante para piadinhas em relação à filosofia). Foi então que, para esclarecer questões sobre o existencialismo e rebater algumas críticas que Sartre proferiu uma palestra chamada O existencialismo é um humanismo, tornando-se posteriormente um livro.
Este pequeno livro é um meio de ter uma breve introdução ao existencialismo através do próprio autor, algo raro no meio da filosofia, no qual a maioria dos autores recusa-se a simplificar seu pensamento a esse ponto, seja por receio de banalizar e deturpar suas ideias ou por pura soberba intelectual mesmo (Sartre também se encaixa num desses casos, já que esse livro não foi aprovado por ele). Numa primeira parte, Sartre expõe os princípios do existencialismo rebatendo críticas veiculadas por diversos setores; a parte final é um debate de Sartre com a plateia, no qual o filósofo responde a algumas contestações.
Mas afinal, o que é o existencialismo? Bem, não é meu propósito aqui explicar correntes filosóficas (até porque eu não teria condições para fazr isso decentemente), e sim sugerir boas leituras. Posso dizer simplesmente que o existencialismo é um conjunto de ideias muito fascinante, que passa longe da abstração acadêmica e se encaixa bem no mundo em que vivemos, que trata de liberdade e responsabilidade do ser humano, e por isso fez a minha cabeça desde o início da minha vida adulta - foi interessante reler este livro e ver como essas ideias foram importantes na minha formação, e o quanto delas ainda persiste em mim até hoje, mesmo sem que eu possa dizer que algum dia pude me classificar como um existencialista nato. O existencialismo é um humanismo é um ótimo meio de ter uma visão inicial sobre o assunto e se apaixonar por essa corrente filosófica que tem uma vantagem para quem gosta de filosofia mas não pretende devorar livros obscuros de filósofos difíceis: o existencialismo foi tratado em diversas obras literárias de leitura agradável, por autores como Albert Camus e o próprio Sartre - e foi por isso que agora, depois de anos, li novamente esse livro: para relembrar os conceitos e entender melhor um livro de Sartre que encontrei numa feirinha e pretendo ler em breve, chamado A Náusea.
Editora: Vozes (o texto também pode ser encontrado na coleção Pensadores, da editora Abril, fácil de achar em sebos)
Páginas: 84
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * *
Livro em PDF
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Mundo Fantasma - Daniel Clowes
Se você não é nerd, não tem obrigação de saber que Mundo Fantasma (Ghost World) é a principal obra de Daniel Clowes, um dos maiores nomes dos quadrinhos alternativos. O que eu e muitos outros semelhantes não entendíamos era por que um trabalho fundamental como esse, lançado nos Estados Unidos em 1997, teve que esperar até 2011 para ser editado aqui no Brasil, já que coisas menos importantes de Clowes têm edições nacionais há bastante tempo, mas agora que finalmente podemos comprar Mundo Fantasma em qualquer livraria, ganhamos também uma explicação convincente: os direitos estavam reservados a uma editora que faliu antes que pudesse publicar o álbum, até que a editora Gal resolveu a situação e conseguiu fechar o negócio, que acredito que será muito lucrativo, mas mesmo que não seja, pelo menos terá a honra de publicar essa maravilha da nona arte.
Mundo Fantasma mostra a vida de duas amigas, Enid e Becky, jovens entediadas e inadaptadas presas na sociedade americana da década de 90. A mediocridade de seu entorno e a ação dos hormônios próprios da idade as levam a buscar válvulas de escape em trotes, sexo, consumo de artigos peculiares, fofocas e brincadeiras de mau gosto com estranhos. Apesar de o álbum ser composto por histórias curtas (originalmente publicadas na revista Eightball, no final da década de 80), pode-se encontrar um sentido na sequência delas: o difícil processo de superação da adolescência e a entrada na vida adulta.
Os desenhos de Daniel Clowes são perfeitos para o que o artista procura passar: as representações dos personagens variam de monótonas a ridículas, e por mais simples que sejam, seus traços são apaixonantes. Os cenários retratados me parecem aquilo que tenho em mente sobre o cotidiano norte-americano, um ambiente aparentemente equilibrado, eficiente, mas em suas entrelinhas cheio de contradições e decadência. Para mim, Mundo Fantasma compõe, na esfera dos quadrinhos, o que os filmes de Kevin Smith ou as músicas das bandas grunge representaram na década de 90.
Em 2001 foi lançado um filme baseado nos quadrinhos, com muitas passagens idênticas, mas com roteiro bastante diferente da obra original, porém nem por isso deixa de ser um filme excelente. Dirigido por Terry Zwigoff (o mesmo do filme sobre Robert Crumb), com Tora Birch e Scarlett Johansson novinhas e Steve Buscemi.
Eu já tenho Mundo Fantasma escaneado há muitos anos, ainda não tive contato com essa nova edição e, portanto, tudo que posso escrever é sobre a obra em si, mas pelo que li em resenhas na internet, parece ser bem feitinha, com extras interessantes. Contudo, independente da edição ser de qualidade ou não, o que importa nesse caso é o conteúdo, e seu lançamento é uma oportunidade para quem não conhece. É uma obra de quadrinho maravilhosa, um dos melhores álbuns para mim, está aí minha dica.
Editora: GalPáginas: 84
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * * *
terça-feira, 7 de junho de 2011
Revista Samba - vários autores
Como já escrevi sobre a dita convenção, limito-me a iniciar meu relato da parte em que eu estava tentanto me locomover com minha irmã no abarrotado salão que abrigou o evento, observando uma série de fanzines toscos em mesinhas vazias que davam pena, até ficar impedido de andar entre a fila de gente que esperava um autógrafo de Milo Manara e uma muvuca que se acotovelava para alcançar uma mesa cheia de revistas, de onde alguém gritava "Samba 2! Samba 2!" Na hora pensei: "Que porra é essa de Samba 2 que esse cara não para de gritar?", mas confesso que o que despertou meu interesse foi algo parecido com o que acontece com uma mulher do tipo consumista quando vê um monte de outras semelhantes amontoadas em volta de um camelô na rua - o melhor letreiro para um vendedor, que significa "tem coisa boa e barata aqui".
Quando consegui chegar ao "balcão", peguei um exemplar aberto da tal Samba 2, e de cara senti a diferença entre essa publicação e os inúmeros fanzines xerocados em folha A4 dobrada que proliferam nesse tipo de evento. Uma revista em formato 18x26, com uma bela pintura na capa de papel de boa qualidade, daqueles que agradam ao tato. No miolo, diferentes estilos de desenhos, algumas histórias coloridas, do minimalismo quase idiota a traços mais sombrios, séries de pinturas sem textos a textos quase sem desenhos, mas o grande diferencial era uma historinha em 3D e os óculos que acompanham a revista. Levei pra casa, e com mais tempo e tranquilidade para apreciar melhor o trabalho, pude comprovar a qualidade, tanto do acabamento quanto da criação artística da maioria dos autores dessa obra coletiva. Histórias curtas, a maioria levando para o lado do humor, algumas melancólicas e o restante simplesmente nonsense.
Fico realmente feliz quando vejo que artistas independentes - seja de quadrinhos, música ou qualquer outro ramo artístico - conseguem criar e veicular trabalhos dessa categoria, e entrei no blog da revista para comprar o primeiro volume, lançado em 2008. O número de páginas é menor, mas o formato e o tipo de conteúdo são os mesmos, sendo que alguns personagens aparecem em ambos os volumes, porém sem histórias seriadas. Este primeiro volume ganhou um prêmio de melhor revista na Feira de Quadrinhos do Piauí, em 2009, e talvez esse reconhecimento tenha estimulado a continuidade do trabalho. Espero que venha a ser lançado logo o próximo volume e que essa moçada esperta de Brasília encabeçada por Gabriel Góes, Gabrieal Mesquita e Lucas Gehre sirva de exemplo e estímulo para o restante dos quadrinistas independentes do Brasil.
Editora: independente
Páginas: 64 e 136
Disponibilidade: blog da revista ou eventos de quadrinhos.
Avaliação: * * * * *
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Doutor Jivago - Boris Pasternak

A história de Doutor Jivago começa na convulsiva Rússia da virada do século XX, e a vida pessoal do protagonista contrasta intencionalmente com o pano de fundo histórico das lutas políticas que desembocaram na revolução dos bolcheviques: a trajetória do médico Iuri Andreievitch Jivago representa a individualidade sufocada pelo coletivismo extremo e forçado dos revolucionários marxistas, e além disso, o livro abre espaço para a discussão sobre a distorção dos ideais revolucinários através do processo histórico.
Aí entra a diferença entre criar grandes histórias e ter capacidade para desenvolvê-las. A escrita de Boris Pasternak é barroca até o tutano, repleta de figuras de linguagem pedantes, produzindo uma leitura cansativa, um desafio até para os maiores maratonistas literários - intercalando esta com diversas outras leituras, demorei quase três meses para sequer chegar à metade dessa grande epopeia eslava, mas então desisti no meio do caminho, abandonei mesmo, não tive forças para tamanha provação. Para se ter uma ideia do que estou falando, um dos temas mais destacados em qualquer resumo rápido que se pegue sobre Doutor Jivago é o romance entre o protagonista e a personagem Lara, mas até onde li, nem sinal de que isso estava para acontecer... aliás, a impressão é de que nada acontece nesse livro! Talvez tenha sido uma estratégia do autor para remetar à solidão de Jivago, ao mesmo tempo que à imensidão da natureza russa, aquela paisagem monótona, a tundra, as coníferas, a Sibéria, o Círculo Polar Ártico, gelo, neve...
Ainda assim, Doutor Jivago foi considerado digno de um Prêmio Nobel de Literatura em 1958, mas expliquemos: o livro foi censurado na União Soviética, chegou clandestinamente ao ocidente, denunciava os erros do socialismo soviético, o autor ainda vivia lá cercado de agentes da KGB, e era época de Guerra Fria e tudo mais, entenderam, né? Por mais que possam defender a qualidade desse livro e dizer (corretamente) que eu não entendo patavina de técnicas literárias para poder criticar assim, continuo achando que não tem desculpa: o livro foi escrito e publicado na época mais fértil da literatura mundial, de gente como Kafka, Fitzgerald e Borges, não havia espaço para uma escrita anacrônica dessa. Que os acadêmicos julguem os méritos literários dos autores através do tempo, para mim Pasternak já está no grupo encabeçado por Stendhal: literatura clássica chata que ninguém aguenta, mas ai de quem falar mal!
Mesmo com todos os problemas, a história por trás da enrolação de Doutor Jivago ainda me parece interessante, e eu poderia simplesmente ler qualquer resumo na internet para saber como termina, mas farei de outra forma: vou procurar o filme, que pode até ser ruim como o livro (e provavelmente é, já que ganhou cinco estatuetas do Oscar), porém apresenta uma música muito bonita e belíssimas atrizes (tanto na versão original, de 3 horas de duração, como na série de tv de 2002, com 6 horas).
Editora: Best Seller
Páginas: 756 (com sensação térmica de 3756)
Disponibilidade: normal
Avaliação: * *
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Crazy Cock - Henry Miller

A chamada acima pode sintetizar os sonhos de quase todas as pessoas que almejam o ofício de escritor, e parece que Henry Miller foi agraciado pelo destino com as coisas tendo saído tão perfeitas - sucesso logo no primeiro romance, na Paris da década de 30, capital mundial da cultura ocidental da época. Contudo, a história torna-se menos colorida se acrescentarmos um dado na biografia do autor: tudo isso ocorreu somente quando ele tinha 44 anos. Até então, Henry Miller era um cidadão humilde de Nova Iorque, que fizera de tudo na vida para se sustentar, mas ao mesmo tempo não conseguia permanecer em nenhuma atividade por reconhecer sua verdadeira vocação na escrita - e por conta disso, era discriminado pela própria família.
Antes de decidir largar tudo de vez e partir para a França para escrever e publicar Trópico de Câncer, Miller alternava bicos e empregos temporários com a elaboração e a produção de livros que ninguém conhecia/reconhecia, e um desses manuscritos deu origem a Crazy Cock, publicado então somente na década de 60, a partir de um manuscrito improvavelmente recuperado. A história da época da produção desse livro é bem descrita na introdução da edição que li:
"Corria o ano de 1927. A segunda mulher de Henry Miller acabara de fugir para a Europa com sua amante lésbica, e ele se recuperava de um longo período que chamou 'desintegração nervosa'. Humilhado e sem dinheiro, ele se vira obrigado a voltar para a casa de seus pais, perplexos com a incapacidade desse filho de 36 anos de viver à altura das expectativas eminentemente burguesas da família. Em desespero, aceitara um emprego sem futuro em um escritório oferecido por um rival dos tempos de infância. Uma noite, porém, permaneceu na firma depois do expediente e começou a datilografar sem parar. Passada a meia-noite, uma pilha de páginas datilografadas em espaço um - uma torrente de palavras - repousava ao lado. Eram notas para o livro que Miller sentiu estar fadado a escrever: a história de seu casamento com June, do amor desta por Jean Kronski, e de sua própria e total degradação com a traição da mulher. Essas notas se transformariam em Crazy Cock, terceiro romance de Henry Miller e seu mais seguro passo em direção a Trópico de Câncer, a grande realização literária que viria poucos anos depois."
O ponto alto da produção literária de Henry Miller são os livros nos quais ele transforma suas experiências pessoais em prosa de altíssima qualidade, mais especificamente os anos ao lado de June, sua musa maldita. Em Crazy Cock, Miller aborda o conturbado período na década de 20 em que viveu com June e Jean, até a fuga destas para a Europa - tema que foi retomado na trilogia A Crucificação Encarnada, publicada entre 1949 e 1960. A ideia inicial para o título era Lovely Lesbians (Amáveis Lésbicas), mas como a prosa é voltada para o protagonista, e não para as duas mulheres, houve a alteração para Crazy Cock (Pinto Louco).
Sendo basicamente um protótipo da escrita posterior de Henry Miller, Crazy Cock é algo diferente de seus livros mais famosos. A narração autobiográfica em primeira pessoa, característica marcante do autor, é substituída pela utilização de personagens em terceira pessoa (Miller é Tony Bring, e as mulheres têm os pseudônimos Hildred e Vanya), certamente uma demonstração de insegurança do escritor inexperiente. Além disso, é uma narração mais linear, mais lógica do que em Trópico de Câncer, porém já apresentando algumas passagens introspectivas próprias de Henry Miller. Outro importante ingrediente milleriano que falta nesse livro são as famosas descrições de atos sexuais, apesar do título sugestivo - um aspecto da obra de Miller que proporcionou seu banimento na moralista e hipócrita América durante décadas.
Crazy Cock é um livro muito tenso, que consegue passar para o leitor o que acontece na cabeça de um homem que, por conta de um amor absurdo, obsessivo, talvez doentio, se submete a dividir o mesmo teto com sua mulher e a amante lésbica, sendo sempre colocado em segundo plano pelas duas. Um livro escrito por um grande autor ainda inexperiente, mas nem por isso sem qualidade.
Me interessei em ler este livro porque Henry Miller é um dos autores mais importantes para mim, um verdadeiro herói literário, alguém com quem eu quero parecer quando crescer, e recomendo essa boa leitura para qualquer um, mas para quem ainda não o conhece, sugiro a leitura de algum de seus livros mais marcantes, pois não dá para comparar esse trabalho da época de amador com os livros que o deixaram famoso. Trópico de Câncer causou em mim uma grande revolução mental na minha época de adolescência, e até hoje pego ocasionalmente para reler trechos marcantes. É uma relação tão especial que tenho com esse livro que talvez por isso eu não consiga escrever mais detalhadamente sobre ele aqui no blog e tenha que pegar outros trabalhos menores para poder falar de Henry Miller, mas a dica está dada.
Editora: Siciliano
Páginas: 198
Disponibilidade: esgotado
Avaliação: * * * *
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Superfreakonomics - Steven Levitt e Stephen Dubner

Editora: Campus
Páginas: 247
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * *
Obs: O preço da edição brasileira é muito alto (como qualquer livro da editora Campus), comprei a edição original importada por 1/3 do valor (e a capa é mais legal, a tal da maçã explodindo, em vez de cortadinha como na foto acima).
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Bórgia - Alejandro Jodorowsky e Milo Manara
O fato é que quem cometia tais crimes eram pessoas com nomes, famílias, histórias, enfim, pessoas passíveis de serem estudadas e biografadas, e nenhuma dessas pessoas representou o ponto mais baixo deste quadro vil como Rodrigo Bórgia, posteriormente papa Alexandre VI (de 1492 a 1503). Personagem impressionante por utilizar as estratégias mais cruéis para chegar ao poder, Bórgia e sua família foram parar nas mãos de dois artistas que, além de tecnicamente destacados, apresentam características de trabalho perfeitas para retratar uma biografia em quadrinhos cheia de violência, perversões sexuais e situações bizarras: Alejandro Jodorowsky (escritor e cineasta ícone da contracultura) e Milo Manara (talvez o maior nome dos quadrinhos eróticos de todos os tempos).
Bórgia é uma série em quatro volumes iniciada em 2004 ainda não concluída pelos autores, na qual é contada a história do papado de Alexandre VI e sua família, que inclui filhos e amantes. A demora do lançamento de novos volumes da série não se justifica pelo tamanho do material (cada volume não tem mais de 60 páginas), mas talvez pelo apreço dado pelos autores à qualidade do trabalho. Certamente, Bórgia é uma das histórias em quadrinhos mais magníficas dos últimos tempos, do modo como a história é contada à beleza artística de cada quadro.
O título do primeiro volume, Sangue para o Papa, já prepara o leitor para o teor da história, que começa com a iminente morte do papa Inocêncio VIII, que não tem nenhum escrúpulo em sacrificar quem quer que seja para ter alguns momentos a mais de vida. Rodrigo Bórgia, percebendo sua chance, inicia as maquinações para herdar o posto do moribundo Inocêncio, o que inclui subornos, assassinatos, chantagens, sexo e até mutilações de 150 pênis de uma só vez! O segundo voulme, O Poder e o Incesto, mostra Bórgia já como Alexandre VI lutando para manter-se no poder e colocar sua família no mesmo caminho, e o terceiro, As Chamas da Fogueira, lançado no ano passado, continua a saga da família num momento em que o papa é seriamente ameaçado por forças externas, terminando em aberto para que o arco seja concluído no volume seguinte, que sebe-se-lá quando será lançado.
O roteiro de Jodorowsky dá conta do ritmo necessário para uma obra com a quantidade de páginas que esta tem, apesar de exagerado e certamente não realístico - afinal, quem já viu algum filme de Jodorowsky sabe que não pode esperar algo diferente dele. A vida de Bórgia e seus comparsas não é tratada aqui como uma biografia afinada com a história, mas um trabalho livre para explorar aspectos da maldade e sede de poder do ser humano, o que funciona muito bem.
A arte de Manara está impecável. Apesar de ter minhas reservas quanto à qualidade dos desenhos deste artista em outros trabalhos (principalmente quanto ao machismo de colocar o mesmo olhar de puta e boca de boqueteira em todas as suas mulheres!) e não considerá-lo um gênio como outros o fazem, tenho que admitir que nessa série Manara conseguiu me convencer. Diferente de besteiras como "O Clic" (a série que o deixou mundialmente famoso), aqui o artista dá mais atenção a cada quadro para que mostre com clareza as expressões e os sentimentos dos personagens, e quando a cena se afasta para mostrar um plano mais aberto, alguns quadros lembram pinturas de Brueghel, com os detalhes da vida cotidiana daquela época - só que, neste caso, de uma perspectiva mais pervertida.
Há que se enfatizar também que, se os exageros de Jodorowsky na postura dos personagens e nas situações escabrosas tornam a história dificilmente de acordo com o que realmente aconteceu, é notório que houve uma pesquisa séria para que figuras históricas e cenários fossem retratados com a maior fidelidade à realidade. Observando alguns quadros da época, percebe-se a semelhança com os desenhos de alguns personagens, e as vestimentas, ambientes e objetos são bastante fiéis. Ainda assim, alguns personagens foram estilizados e não copiados das pinturas da época, como é o caso de Lucrécia, filha do papa, que foi transformada numa mulher arrasadora, diferente da retratada nos quadros.
Bórgia é uma obra de arte contemporânea que vale a pena ser lida e tê-la em sua estante, até pelo tratamento digno da edição brasileira (capa dura e papel couchê) mas atenção para um detalhe editorial: a editora Conrad vem publicando alguns de seus livros com um selo "edição especial", que nada mais são do que edições mais baratas e com menor qualidade. Comprei recentemente o terceiro volume de Bórgia pela internet, e quando chegou tive a surpresa desagradável: a edição não veio com a bela capa dura dos outros dois volumes, desfigurando a minha coleção. Mais uma da Conrad, a editora que, desde o limiar do milênio, vem publicando excelentes obras que fazem com que se destaque no mercado editorial, mas em contrapartida, frequentemente apronta uma dessas com os leitores.
Editora: Conrad
Páginas: 50 a 60 em cada volume
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * * *
Bórgia em pdf












