
Apesar de as ideias existencialistas terem se originado no século XIX, com um filósofo dinamarquês chamado Soren Kierkegaard, foi Jean-Paul Sartre quem transformou-as em doutrina, inclusive criando o termo, que foi rejeitado por filósofos de ideias semelhantes, como Martin Heidegger.
Até a década de 1940, o existencialismo podia ser estudado através de livros difícies para o grande público, desses que até o título já causa estranheza, tipo Ser e Tempo, ou O Ser e o Nada (títulos que, diga-se de passagem, também contribuem bastante para piadinhas em relação à filosofia). Foi então que, para esclarecer questões sobre o existencialismo e rebater algumas críticas que Sartre proferiu uma palestra chamada O existencialismo é um humanismo, tornando-se posteriormente um livro.
Este pequeno livro é um meio de ter uma breve introdução ao existencialismo através do próprio autor, algo raro no meio da filosofia, no qual a maioria dos autores recusa-se a simplificar seu pensamento a esse ponto, seja por receio de banalizar e deturpar suas ideias ou por pura soberba intelectual mesmo (Sartre também se encaixa num desses casos, já que esse livro não foi aprovado por ele). Numa primeira parte, Sartre expõe os princípios do existencialismo rebatendo críticas veiculadas por diversos setores; a parte final é um debate de Sartre com a plateia, no qual o filósofo responde a algumas contestações.
Mas afinal, o que é o existencialismo? Bem, não é meu propósito aqui explicar correntes filosóficas (até porque eu não teria condições para fazer isso decentemente), e sim sugerir boas leituras. Posso dizer simplesmente que o existencialismo é um conjunto de ideias muito fascinante, que passa longe da abstração acadêmica e se encaixa bem no mundo em que vivemos, que trata de liberdade e responsabilidade do ser humano, e por isso fez a minha cabeça desde o início da minha vida adulta - foi interessante reler este livro e ver como essas ideias foram importantes na minha formação, e o quanto delas ainda persiste em mim até hoje, mesmo sem que eu possa dizer que algum dia pude me classificar como um existencialista nato. O existencialismo é um humanismo é um ótimo meio de ter uma visão inicial sobre o assunto e se apaixonar por essa corrente filosófica que tem uma vantagem para quem gosta de filosofia mas não pretende devorar livros obscuros de filósofos difíceis: o existencialismo foi tratado em diversas obras literárias de leitura agradável, por autores como Albert Camus e o próprio Sartre - e foi por isso que agora, depois de anos, li novamente esse livro: para relembrar os conceitos e entender melhor um livro de Sartre que encontrei numa feirinha e pretendo ler em breve, chamado A Náusea.
Editora: Vozes (o texto também pode ser encontrado na coleção Pensadores, da editora Abril, fácil de achar em sebos)
Páginas: 84
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * *
Livro em PDF