sexta-feira, 16 de maio de 2014
Carrie, a Estranha - Stephen King
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ero-Guro: O erótico-grotesco de Suehiro Maruo

Para começar, não acho que o título seja coerente com a obra. Ero-Guro é uma simplificação do termo "erótico e grotesco", mas eu não consegui encontrar traço de erotismo em nenhum dos nove contos. Não posso considerar nem mesmo como pornografia, pois acho que esse termo abarca situações sexuais menos doentias do que coprofilia, banho de urina ou sexo com velhas decrépitas mostradas no presente livro. Para mim, só sobra o grotesco, o nojento, o desagradável, o detestável.
A capa do livro, propositalmente contida (mas com a advertência "quadrinhos adultos") pode omitir o conteúdo, mas já no índice o nome de contos como "Receita para uma Sopa de Merda" ou "O Grande Masturbador" preparam o terreno para o que está por vir. Seguem-se então bizarrices de todo tipo, desde mutilações até um garoto faminto se alimentando de uma lombriga que acabara de sair de seu próprio ânus, representadas nas belíssimas ilustrações de Suehiro Maruo, que na verdade se sobressaem em relação ao texto com seus contrastes preto e branco, os pequenos detalhes e a utilização de técnicas diferentes do mangá clássico em algumas páginas. Na maior parte, o sadismo e o prazer resultante da humilhação ou do horror alheio predominam como temas primários. Fora isso, as referências à arte são frequentes: "O Grande Masturbador" é o título de um quadro de Salvador Dali e "Uma Temporada no Inferno" um livro de Rimbaud, dentre outras.
Ero-Guro é, antes de tudo, uma coletânea de histórias de terror, com assassinatos, psicopatas, canibais, mas o aspecto principal é, obviamente, a perversidade das situações. Esse é o ponto forte da obra, a intenção de chocar, já que a arte é isso, e não uma simples representação do mundo sem pretensões. Ao ler este livro, dispa-se dos preconceitos e do que foi estabelecido pela sociedade para não rejeitá-lo logo no primeiro conto, mas não muito, para que não se perca o efeito da ojeriza desta leitura.
A editora Conrad já lançou outros dois livros desse abominável autor: "O Vampiro que Ri" e "Paraíso: o Sorriso do Vampiro", que, se traduzem os cenários insanos de sua mente da mesma forma que em Ero-Guro, valem uma conferida.
Escolhi uma dentre as muitas passagens desagradáveis do livro para fechar este texto: "Quando eu era criança, sem querer, tive a chance de experimentar o gosto da merda, obviamente era a minha própria. O escritor ladrão Jean Genet já escrevia: 'A imundice abomina outras imundices'. É uma frase célebre. Ainda criança, quando sentia vontade de ir ao banheiro, tinha que correr até a minha casa. Até hoje, não consigo fazer minhas necessidades nos banheiros públicos de estações de trem e parques. Quanto ao sabor da merda, mais do que fedido, é amargo. Se não acredita em mim, recomendo que experimente você mesmo. - Ass.: Eu - "
Editora: Conrad
Páginas: 225
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * *
domingo, 12 de julho de 2009
O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Você conhece alguém que trocou sua alma pela beleza eterna? Eu conheço várias pessoas que já fizeram isso, e acabo de conhecer mais uma: Dorian Gray. Personagem do excelente livro de Oscar Wilde, a lamentável história do sr. Gray começa com uma sedução, a sedução de si mesmo, um jogo de vaidade que se transforma em narcisismo doentio. Durante uma festa da alta-sociedade, o pintor Basil Hallward conhece o jovem Dorian Gray e fica fascinado por sua beleza. Desenvolve-se então uma paixão platônica e o pintor toma Dorian como modelo para sua mais perfeita obra, o retrato de Dorian Gray. Paralelamente, Dorian conhece Henry Wotton que, com suas idéias sobre a beleza, estimula ainda mais o narcisismo do jovem. Obcecado, Dorian Gray troca sua alma pela beleza eterna e descobre que o resultado prático é a inexistência do envelhecimento em seu corpo pela corrupção de seus atos: para cada atitude vil de Dorian, seu retrado ganha alguma ruga ou deformidade, enquanto o seu corpo permanece o de um jovem - fato descoberto ao acaso, quando ele despreza uma pretendente que comete suicídio. A partir de então, uma trilha de maldade e loucura se desenvolve através das páginas do clássico de Oscar Wilde.O ponto mais interessante do livro, na minha visão, foi a identificação da maldade com o belo, e não com a feiura, como geralmente este tema é apresentado desde as obras infantis. Além da óbvia discussão sobre a beleza e o que o ser humano é capaz de fazer para alcançá-la, "O Retrato de Dorian Gray" é uma crítica à alta-sociedade britânica da época vitoriana, encarnada principalmente na figura do hedonista Henry Wotton. Sociedade esta que, apesar de representar o país mais esplendoroso da época - o império onde o sol nunca se punha - fez tantos de seus súditos sofrerem. Um deles foi justamente Oscar Wilde, que na época do lançamento do livro foi perseguido por causa de seu relacionamento com outro homem, chegando até a ser preso por isso. Wilde foi submetido a trabalhos forçados e, ao sair da prisão em 1897, se mudou para Paris, onde adotou uma vida menos excêntrica e morreu de meningite três anos depois.
"O Retrato de Dorian Gray" apresenta diversas passagens homoeróticas (muito parecidas com algumas partes da obra de Platão), o que favoreceu ainda mais as acusações de sodomia que pesavam contra o autor irlandês. Como resposta aos que consideravam seu livro imoral, Wilde respondeu no prefácio da segunda edição: "Não existe livro moral ou amoral. Os livros são bem ou mal escritos. Isso é tudo". Independente da polêmica, "O Retrato de Dorian Gray" é um excelente romance (o único de Oscar Wilde, já que o restante de sua obra são contos e peças de teatro), disponível em diversas edições - desde as mais baratas coleções de clássicos até edições bilíngues - e até em audio-livro (que foi como "li"; foi minha primeira experiência com audio-livros, e gostei. Apesar de parecer ser mais fácil, requer o mesmo nível de atenção de uma leitura). Há também alguns filmes antigos baseados na obra, e um inglês que tem previsão de lançamento para este ano.
Voltando à pergunta com a qual iniciei o texto, conheço várias pessoas que vendem a alma para conseguir beleza eterna. Quantas pessoas já passaram fome na vã expectativa de ter o corpo mais bonito? Quantas mulheres já morreram na tentativa de ter seios maiores e menos flácidos? Quantas viagens, obras na casa e cursos para os filhos foram adiados por causa de caros tratamentos estéticos? Na nossa sociedade, que cultua mais o corpo do que o bem-estar, a cultura e a satisfação pessoal, "O Retrato de Doria Gray" permanecerá atual ainda por muitas gerações.
Editora: várias
Páginas: variável
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * * * *
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
O Turno da Noite, vol.1 - André Vianco
Ouvi falar deste autor através de amigos nerds como eu, que curtem ficção científica, super-heróis, histórias de terror e afins. André Vianco, um escritor que cria histórias de vampiros ambientadas no Brasil. Minha curiosidade cessou quando encontrei um livro seu com desconto no site da livraria que geralmente faço compras. Na verdade eram uma trilogia encadernada e dois outros livros por R$ 80 – o preço cheio é R$ 160. Eu sei que não se compra 5 livros de um autor que nunca se leu, mas, assumo, caí na armadilha da promoção.Logo que chegaram os livros, fiquei insatisfeito com os dois separados, pois na verdade eram duas histórias em quadrinhos contando as origens dos vampiros da saga de Vianco. Não que eu não goste de quadrinhos, pelo contrário, é meu hobby principal desde que aprendi a ler, o problema é que se trata de uma coisa tão malfeita, com desenhos (pretensamente) no estilo mangá tão ridículos que já estão separados para serem vendidos no Mercado Livre.
Ignorando os gibis medíocres, comecei a ler a tal trilogia, denominada “O Turno da Noite”. Apesar de ser uma continuação de livros anteriores de André Vianco, dá para entender perfeitamente, já que as referências não são obscuras para fãs ardorosos. A história narrada começa com quatro jovens que recentemente foram transformados em vampiros. Sem saber o que fazer e para onde ir, são aliciados por Inácio, outro vampiro mais experiente, recebendo proteção e certos mimos (tipo um apartamento de luxo e algumas bolsas de sangue!) em troca da prestação de certos servicinhos – matar pessoas, todas elas aparentemente más, como traficantes e assassinos de mendigos. Por que Inácio, cheio de poderes vampirescos, precisa de quatro calouros para estes serviços? Até o final da trilogia isto deve ser revelado, mas eu não descobri porque parei logo depois de terminar o primeiro volume (tentei ler algum spoiler na internet, mas parece que ninguém se interessou em escrever sobre este livro...).
É um livro ruim? Não, não chega a tanto. É simplesmente... sem graça. A escrita de André Vianco não é fraca, mas também não se destaca, e a história não é excitante, não prende a atenção, não pede mais. Após a leitura do primeiro volume, perdi completamente o interesse, tentei começar o segundo, mas a leitura foi se arrastando, se arrastando, até que tomei coragem de assumir que fiz merda comprando logo um monte de livros de um autor que só havia ouvido falar bem. Talvez seus livros anteriores, os que o deixaram famoso, sejam melhores, mas talvez a necessidade de lançar livros regularmente tenha feito o autor escrever uma obra fraquinha, e essa foi a primeira impressão que tive, me desestimulando a ler outros de seus livros.
Editora: Novo Século
Páginas: 240
Disponibilidade: normal
Avaliação: * * *
Livro Digital
